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Escolas

Bicicleta vira ‘material escolar’ no interior de São Paulo


por Redação do Portal Aprendiz

São José da Bela Vista (393 km de São Paulo) foi o primeiro município do Estado a ser beneficiado por um programa do governo federal que tem como objetivo acabar com a evasão escolar.Na sexta-feira, 11 de maio, a pequena cidade da região de Ribeirão Preto, com pouco mais de 8.000 habitantes, recebeu as 900 bicicletas do programa Caminho da Escola.Nesta segunda-feira (14), no primeiro dia de aula após a entrega das bicicletas, os novos veículos de transporte mudaram a rotina da cidade, segundo o inspetor de alunos Antonio Carlos Dias Feliz. “Tem muita criança pedalando pelas ruas. Elas estão animadas com a novidade. Despertou a curiosidade de todos”, disse.As bicicletas foram entregues para crianças que cursam do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental da escola municipal José Renato Nogueira Ambrósio (711 unidades).Outras 15 foram para o EJA (Educação de Jovens e Adultos) da cidade. No total, São José já recebeu 900 –174 ainda serão entregues a outros alunos da cidade.Segundo a diretora da escola, Elisabete Balan Isaac, as bicicletas vão ajudar os estudantes. “Temos alunos que andavam até cinco quilômetros para estudar. Faltavam muitas vezes. Agora, as bicicletas vão facilitar a vida de todos. Hoje já percebi uma maior presença dos alunos.”A diretora acrescentou que o programa vai ajudar, principalmente, crianças que moram na zona rural –são cerca de 70 matriculadas.ProgramaO programa do governo federal prevê a entrega de 2.542 bicicletas em seis cidades paulistas. Além de São José da Bela Vista, vão receber bicicletas Anhembi, Elias Fausto, Barretos, Monte Azul Paulista e Aparecida d’Oeste.O programa foi criado em 2007 e tem objetivo de ampliar os meios de transportes dos estudantes através da renovação da frota de veículos escolares para reduzir a evasão escolar.Também prevê a aquisição de ônibus e vans, mas disponibiliza também aos municípios a compra de barcos e bicicletas.Outros estados já foram contemplados pelo Caminho da Escola. Mais informações no no site do Programa Caminho da Escola.* Publicado originalmente no site do Portal Aprendiz.
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Comportamento

Falta de ferro e vitamina A prejudica desempenho escolar e crescimento saudável


por Redação do Blog da Saúde

Como ação do programa Brasil Carinhoso, lançado pela presidenta Dilma Rousseff, o Ministério da Saúde vai distribuir suplementos de Ferro e Vitamina A para as crianças brasileiras. O objetivo é reduzir os índices de anemia, que prejudica o desempenho na escola e compromete o crescimento saudável.A nutricionista e consultora técnica da Equipe de Programas Estratégicos de Alimentação e Nutrição da Coordenação Geral de Alimentos e Nutrição do Ministério da Saúde, Karla Lisboa, explica que a anemia contribui para a morbidade infantil. Isso porque a deficiência nutricional abaixa a imunidade e gera menos resistência a infecções. Crianças com fadiga generalizada, falta de apetite, pouca disposição e palidez podem estar com anemia.Segundo ela, a vitamina A é uma substância importantíssima para evitar o quadro de anemia. “Ela faz parte do metabolismo do Ferro, assim como outros nutrientes também fazem parte, por isso é importante que não haja deficiência da vitamina”, explica Karla Lisboa. A complementação nutricional pelo sulfato ferroso é a medida ideal para tratar a deficiência de Ferro. A nutricionista afirma que alimentos folhosos na cor verde escuro, além de leguminosas e grãos integrais, contêm Ferro, e auxiliam a tratar a deficiência do nutriente.De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 2006, 20,9% da população infantil brasileira entre zero e cinco anos possuem deficiência de ferro e 17,4% carência de vitamina A. Serão usadas as campanhas de vacinação para distribuir a dose de Vitamina A para crianças de seis meses a cinco anos de idade, em 2.755 municípios. O investimento é de R$ 5 milhões ao ano. Quem estiver na idade alvo receberá uma dose da vitamina a cada seis meses. As campanhas de vacinação vão reforçar a importância de receber a dose. As doses podem reduzir o risco geral de morte em 24% e o risco de mortalidade por diarreia em 28%.A iniciativa também prevê a garantia de acesso ao sulfato ferroso em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país para crianças de seis a 18 meses. Com essas medidas, o MS pretende reduzir os casos de anemia na primeira infância em 10% e a deficiência de Vitamina A em 5% ao ano. A medida vai impactar diretamente na redução da mortalidade infantil.Veja os alimentos que contém Ferro e Vitamina AFerro-Folhosos verde-escuros: (exceto espinafre), agrião, couve, cheiro-verde, taioba.-Leguminosas: feijão, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha.-Grãos integrais ou enriquecidos: nozes, castanhas, melado de cana-de-açúcar, rapadura e açúcar mascavo.Vitamina AA vitamina A é encontrada quase que exclusivamente em produtos animais, como leite humano, carnes, fígado, óleos de peixe, gema, leite integral entre outros.Para o bebê, o leite materno é a principal fonte de Vitamina A.* Publicado originalmente no Blog da Saúde e retirado do site do Portal Aprendiz.
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Alfabetização

Programa do MEC para alfabetizar alunos até os 8 anos vai investir na formação de professores


por Daniel Mello, da Agência Brasil

São Bernardo do Campo (SP) – Deve entrar em funcionamento, no ano que vem, o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), do Ministério da Educação (MEC). Segundo o secretário de Educação Básica da pasta, Cesar Callegari, na próxima semana o ministério enviará uma correspondência a todos os prefeitos e governadores explicando os detalhes do programa, que pretende garantir a alfabetização de todos os alunos até os 8 anos de idade tendo como principal foco a melhora na formação dos professores que lecionam nos três primeiros anos do ensino fundamental.“O Ministério da Educação está decidido a trabalhar de maneira colaborativa com cada um dos municípios e estados brasileiros para que nós possamos realizar essa tarefa, absolutamente indispensável para o sistema educacional brasileiro”, ressaltou Callegari para uma plateia composta de secretários municipais de todo país no Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação.O foco da iniciativa é melhorar a formação dos 244 mil professores que lecionam no três primeiros anos do ensino fundamental. Entre as ações previstas está a distribuição de bolsas de incentivo para que os professores participem de cursos de capacitação fora do horário de trabalho.“É absolutamente indispensável valorizar esses profissionais. E a melhor maneira de valorizar esses profissionais é proporcionando um lugar de destaque na suas carreiras e um processo de formação continuada”, disse o secretário.Callegari espera que todos os gestores municipais e estaduais enviem as demandas necessárias para a execução do programa até julho para que os recursos necessários sejam incluídos no orçamento de 2013.* Edição: Fábio Massalli** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.
O portal é disponibilizado apenas em inglês. Imagem: Reprodução

Tecnologia

Google lança portal para facilitar pesquisas de professores e estudantes


por Redação EcoD

[caption id="attachment_52067" align="aligncenter" width="425" caption="O portal é disponibilizado apenas em inglês. Imagem: Reprodução"][/caption]Para ensinar estudantes e professores a fazer pesquisas mais qualificadas, o Google lançou no mês de maio o site Search Education. Ainda em inglês, o site possui vídeos e dicas que explicam a funcionalidade do portal, que é destinado, principalmente, a professores interessados em ensinar estratégias de pesquisa a seus alunos ou a usuários que querem otimizar suas buscas.“Nós decidimos ensinar a pesquisar porque o Google tem uma gama de ferramentas, mas a maioria das pessoas só conhece parte delas”, afirmou a educadora da empresa, Tasha Bergsin-Michelson, ao portal Porvir.Entre as seções do site há a Google Day Challenge, que propõe atividades onde os estudantes podem ser testados tanto no conhecimento da matéria, quanto nas ferramentas do buscador. O setor é dividido por disciplinas como história, geografia e biologia. As atividades específicas foram desenvolvidas a partir do currículo norte-americano.Outra atração do novo site do Google é o Lessons Plans, que disponibiliza tutoriais em três níveis de dificuldade, que explicam as formas de pesquisa no portal, além de vídeos com dicas de como escolher os termos de pesquisa mais adequados, entender o resultado da busca, restringir a pesquisa para chegar a melhores resultados e até avaliar a credibilidade da fonte de informação.A estratégia do Search Education é de mostrar aos professores a possibilidade de treinar seus alunos para torná-los capazes de aprender sozinhos e de ser bons questionadores. “Nós precisamos cultivar a autonomia da aprendizagem nos nossos estudantes, para que, quando eles saírem para o mundo, depois do ensino médio, na faculdade, na carreira ou na vida, eles saibam como pesquisar e pensar criticamente”, comentou a bibliotecária e membro da equipe de educadores do Google, Anne Arriaga.Conheça o portal aqui.* Publicado originalmente no site EcoD.


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A União Europeia confirma sua ajuda ao desenvolvimento

Bruxelas, Bélgica, 18/5/2012 – Além de ratificar a assistência ao Sul pobre apesar da crise financeira que enfrenta, o Conselho de Ministros de Desenvolvimento da União Europeia (UE) deu luz verde para uma iniciativa inovadora para evitar futuras crises humanitárias no Chifre da África. No contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá no Brasil de 20 a 22 de junho, a modalidade de ajuda acordada pelos 27 ministros de Desenvolvimento da UE permite conceder aos governos beneficiários dinheiro de forma direta.Todos os membros do bloco se comprometeram a “usar a ajuda orçamentária de forma efetiva para contribuir com a redução da pobreza, fazer essa ajuda mais previsível e incentivar os beneficiários a criar políticas de desenvolvimento e reformas”. A Oxfam, entre várias organizações não governamentais que defendem a ajuda orçamentária, aplaudiu a decisão do Conselho. “É a primeira vez que os Estados-membros reconhecem os benefícios da ajuda orçamentária”, disse à IPS a especialista da Oxfam, Catherine Olier.A decisão do Conselho concorda com estudos que mostram a efetividade dessa modalidade de assistência para reduzir a pobreza. Em dezembro, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) divulgou um informe mostrando os efeitos positivos da ajuda orçamentária para Zâmbia, Tunísia e Mali. Nos três países foram alcançados importantes êxitos na universalização da educação, no aumento da participação das meninas e o acesso de estudantes de zonas pobres. Em Zâmbia, o melhor serviço de saúde fez diminuir a incidência de tuberculose, malária e diarreia. Também reduziu a mortalidade materna e a infantil.“Com a ajuda orçamentária se delega ao país beneficiário a responsabilidade de gerir os fundos de acordo com suas necessidades. Assim, pode financiar custos vitais e recorrentes”, explicou Catherine. “Permite pagar médicos e professores ao longo de vários anos. Pode cobrir os custos de remédios e tratar doenças. A ajuda com base no financiamento de projetos é menor no tempo e, portanto, menos previsível. Não pode cobrir o custo de médicos e professores no longo prazo, que é exatamente o que precisa um país em desenvolvimento”, destacou.A decisão da UE foi uma surpresa, pois era uma modalidade de ajuda muito questionada porque, segundo numerosos críticos, favorecia o aumento da corrupção no país beneficiário. “Não há método de assistência sem risco”, reconheceu Olier. “Contudo, neste caso há muito medo sem justificativa. De fato, ocorre o contrário. Vários estudos demonstram que a ajuda orçamentária é uma boa forma de combater a corrupção de maneira efetiva. Não é um cheque em branco. Implica um diálogo sobre políticas. Os doadores se relacionam com os governos beneficiados. Estes se tornam responsáveis perante seus cidadãos, o parlamento e a sociedade civil”, acrescentou.Segundo as conclusões do estudo de 2011 da OCDE na Tunísia, Zâmbia e Mali, “a ajuda orçamentária contribui para melhorar a responsabilidade e a transparência dos processos orçamentários e é uma assistência válida para a implantação de reformas, quando governos e cidadãos estão ativamente comprometidos com isso”.Os ministros de Desenvolvimento da UE aprovaram, na mesma reunião, realizada no dia 14, um novo plano para estimular a prevenção da fome no Chifre da África. Desde julho de 2011, mais de 13 milhões de pessoas sofrem as consequências de uma grave seca. Para evitar uma nova crise, a UE lançou o projeto conhecido como Share (Apoio à Resistência no Chifre da África). Com esta iniciativa, o bloco espera melhorar a transição de uma ajuda de emergência para uma assistência ao desenvolvimento de longo prazo.“Mais de 400 mil membros assinaram nossa petição que pede urgência aos líderes no sentido de romperem o círculo de fome e a agir no Chifre da África. Esperamos que a UE possa oferecer mais fundos para esta importante iniciativa. Os Estados-membros também devem dar um passo à frente”, afirma um comunicado de Eloise Todd, diretora da organização internacional ONE.“Este projeto é inovador”, afirmou à IPS a diretora do escritório da Oxfam Internacional para a UE, em Bruxelas, Natalia Alonso. “Até agora, a resposta de emergência às crises humanitárias só serviu para cobrir as necessidades mais urgentes. Com o novo plano, os esforços não serão gastos apenas em alimentação complementar para crianças desnutridas, mas também para animais de criação comunitária. Assim, quando acabar a crise a comunidade continuará tendo os meios para ganhar a vida. Isto significa construir resiliência: adaptar-se à situação, mas com perspectiva de futuro”, ressaltou. Envolverde/IPS


por Daan Bauwens, da IPS
Michael Sudarkasa. Foto: Miriam Gathigah/IPS

Menos política e mais economia no Ibas

[caption id="attachment_52105" align="alignleft" width="225" caption="Michael Sudarkasa. Foto: Miriam Gathigah/IPS"][/caption]Nairóbi, Quênia, 18/5/2012 – O crescimento econômico e social se converteu no coração da agenda do bloco de economias emergentes conhecido como Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), enquanto a política vai sendo deixada de lado. Esta é a opinião de Michael Sudarkasa, diretor-executivo do African Business Group, instituição de consultoria sobre negócios, economia e desenvolvimento, com sede na África do Sul.Já se passaram nove anos desde a criação do fórum do Ibas, e isto teve impacto favorável na efetividade da ajuda na África, destacou Sudarkasa, com 20 anos de experiência em comércio regional e internacional e em análise de negócios, com atenção especial no desenvolvimento do setor privado.“O fórum de diálogo do Ibas serviu de catalisador de maiores esforços dentro do Sul para explorar vias pelas quais mobilizar ajuda ao desenvolvimento com recursos internos”, declarou em entrevista à IPS. O Ibas também estimulou iniciativas bilaterais dentro do Sul, como a Associação Estratégica África-América do Sul e a Nova Associação Estratégica Asiática-Africana, acrescentou.IPS: Há exemplos específicos do êxito do Ibas?Michael Sudarkasa: O êxito é os países do Ibas trabalharem juntos indiretamente, estimulando maior atividade independente dos três países, como investidores e como sócios em outras partes da África. E a África do Sul redobrou seus esforços para envolver-se com outros sócios na América do Sul e na Ásia.IPS: Houve mudanças substanciais no relacionamento bilateral e trilateral dentro do Ibas?MS: Não há nenhum que seja muito chamativo. No começo do Brics (Brasil, Índia, China e África do Sul), quando a África do Sul aderiu, houve certa especulação de que a nova iniciativa, com a China sendo o principal motor, pudesse ofuscar o Ibas. Porém, as instituições deste grupo são bastante fortes, bem definidas e todos os seus membros reiteraram seu apoio à iniciativa e destacam seu valor como uma estrutura autônoma. Contudo, a rivalidade existe entre as estruturas, e é provável que se continue fazendo esforços para distinguir o Ibas do Brics, o que em última instância poderia derivar em mudanças mais pronunciadas e visíveis dentro do Ibas.IPS: Quais as melhores práticas do Ibas até agora?MS: Entre elas destacam-se o desenvolvimento de comitês técnicos conjuntos envolvendo os ministérios dos três governos, para explorar o intercâmbio de tecnologia e projetos comuns, e a criação de um fundo para apoiar os países menos adiantados dentro das três regiões.IPS: Que impacto teve o fórum Ibas no sustento dos habitantes de seus países-membros?MS: Economicamente, o Ibas diversificou as oportunidades para as três nações, e o comércio bilateral cresceu. Isto as livrou de uma segura contração econômica que sofreriam se tivessem permanecido concentradas apenas em suas históricas associações comerciais com o Norte.IPS: A crise mundial comprometeu a capacidade do Ibas para conseguir objetivos de desenvolvimento?MS: Sim, provocou algo, a crise mundial fortaleceu a resolução dos três países de se envolverem entre si economicamente, e creio que é uma oportunidade para voltar os olhos a outras associações econômicas Sul-Sul.IPS: O Ibas é um importante exemplo de cooperação Sul-Sul que pode servir de modelo para futuras associações de países em desenvolvimento?MS: Sem dúvida, o Ibas se converteu em modelo dos benefícios da cooperação Sul-Sul, e em importante precursor da voz do Sul nas estruturas multilaterais. Porém, o fato de o Ibas ser uma iniciativa tripartite, destinada, em parte, também a servir como ponte entre regiões e seus países-membros, dificulta que seja replicado em nações de outras zonas geográficas.IPS: Qual a lição fundamental da experiência do Ibas?MS: O Ibas impulsionará e continuará impulsionando as nações do Sul a se considerarem entre si como potenciais sócios fortes, e, definitivamente, fixou uma tendência para a associação Sul-Sul em apoio ao desenvolvimento. Envolverde/IPS 


por Miriam Gathigah, da IPS
WWFcapa

Consumo cada vez maior e utilização de mais recursos por população crescente aumenta a pressão sobre o planeta

A demanda cada vez maior por recursos por uma população crescente está causando uma enorme pressão sobre a biodiversidade do planeta e ameaça nosso futuro em termos de segurança, saúde e bem-estar. É o que revela a edição de 2012 do Relatório Planeta Vivo da Rede WWF, principal pesquisa bianual sobre a saúde do planeta.Produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network (Rede da Pegada Mundial), o relatório deste ano foi lançado nesta terça-feira (15 de maio) na Estação Espacial Internacional pelo astronauta holandês André Kuipers, que apresentou uma perspectiva única da situação do planeta em sua missão na Agência Espacial Europeia.“Temos apenas um planeta. Daqui de cima, posso ver a pegada da humanidade, inclusive os incêndios florestais, a poluição do ar e a erosão – são desafios que se refletem nesta edição do Relatório do Planeta Vivo”, afirmou Kuipers, ao apresentar o relatório durante sua segunda missão espacial. “Embora o planeta sofra pressões insustentáveis, nós temos a capacidade de salvar o nosso lar, não apenas em nosso próprio benefício mas, sobretudo, para as próximas gerações”, completou Kuipers.A versão completa do relatório está disponível apenas em inglês, mas o WWF-Brasil lançou nesta terça-feira, em Brasília, a versão reduzida do estudo, o Sumário Relatório Planeta Vivo, a Caminho da Rio+20. A publicação traz os principais resultados do relatório e uma análise da situação ambiental do planeta nestes últimos 20 anos, desde a Rio 92 até a Rio+20.O Relatório do Planeta Vivo utiliza o Índice Planeta Vivo, mundial, para medir as mudanças na saúde dos ecossistemas do planeta, por meio do rastreamento de 9 mil populações de mais de 2.600 espécies. Esse índice global mostra uma diminuição de quase 30%, desde 1970, que é mais acentuada nos trópicos – onde foi constatado um declínio de 60% em menos de 40 anos. Assim como a biodiversidade se encontra numa tendência descendente, a Pegada Ecológica do Planeta Terra – que é outro indicador chave utilizado nesse relatório - ilustra como a nossa demanda por recursos naturais se tornou insustentável.“Vivemos como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. A menos que a gente altere esse rumo, esse número vai aumentar rapidamente - até 2030, até mesmo dois planetas não serão suficientes”, afirma Jim Leape, Diretor Geral da Rede WWF.O relatório destaca o impacto do crescimento da população humana e o consumo excessivo como sendo as forças que causam maior pressão sobre o meio ambiente. “Esse relatório é como um check-up do planeta e os resultados indicam que ele está muito doente”, explicou Jonathan Baillie, Diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Se ignorarmos este diagnóstico, isso terá implicações importantes para a humanidade. Nós podemos restaurar a saúde do planeta, mas somente iremos conseguir isso se abordarmos as raízes das causas, que são o crescimento populacional e o consumo excessivo.”O relatório também destaca o impacto da urbanização como uma dinâmica crescente. Até 2050, duas em cada três pessoas viverão em uma cidade; e a humanidade precisará desenvolver formas novas e aperfeiçoadas de gestão e manejo dos recursos naturais.A diferença entre os países ricos e pobres também foi destacada neste relatório. Países com renda elevada têm uma Pegada Ecológica que é, em média, cinco vezes a dos países de baixa renda.Os 10 países com a maior Pegada Ecológica por pessoa são: Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos da América, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda.No entanto, de acordo com o Índice Planeta Vivo, o declínio da biodiversidade desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixa renda – o que demonstra como as nações mais pobres e mais vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos. A decrescente capacidade biológica (que é a capacidade de uma região de regenerar recursos) exigirá que um país importe recursos essenciais de ecossistemas estrangeiros – o que, potencialmente e em longo prazo, será em detrimento desses países.“A dependência crescente de recursos externos coloca os países em significativo risco. A crise ecológica torna-se uma causa de nossas crescentes dores econômicas”, afirma Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. “Usar cada vez mais de uma natureza que é cada vez menor é uma estratégia perigosa. No entanto, a maior parte dos países continua nesse caminho. Com isso, eles colocam em risco não apenas o planeta mas - o que é ainda mais importante -, colocam a si próprios em risco.”O Relatório Planeta Vivo apresenta diversas soluções necessárias para reverter o declínio apresentado pelo Índice Planeta Vivo e para diminuir a Pegada Ecológica para um limite compatível com o planeta. Essas soluções são colocadas como 16 ações prioritárias e incluem uma melhoria nos padrões de consumo, com a atribuição de valor econômico ao capital natural, e a criação de marcos legais e políticos para uma gestão equitativa de alimentos, água e energia.Rio+20O lançamento do relatório acontece cinco semanas antes que as nações, empresas e sociedade civil se reúnam no Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. Passados 20 anos desde a última cúpula mundial sobre o planeta, essa reunião agora constitui uma oportunidade chave para que as lideranças mundiais reconfirmem seus compromissos com a criação de um futuro sustentável.“O Brasil, que abriga uma de uma das maiores biodiversidades do mundo, tem um papel fundamental nesse processo de mudança, que deve ocorrer não apenas no discurso mas, principalmente, com ações práticas”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, Secretária-Geral do WWF-Brasil. E para ela, esse compromisso deve ser de todos: dos governos, dos cidadãos e das organizações da sociedade.“Os governos devem assumir o compromisso com a conservação ambiental e adotar ações que garantam a proteção dos ecossistemas, como, por exemplo, o incentivo à criação e à implementação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento, o incentivo ao consumo responsável e o estímulo a boas práticas produtivas”, ressalta.De acordo com Maria Cecília, no que se refere às cidades, é fundamental que elas usem mecanismos de avaliação de impactos, como a Pegada Ecológica e adotem políticas públicas de mitigação que ajudem a reduzir os impactos. Ela também destaca o papel do cidadão nesse processo. “Os cidadãos precisam repensar o seu consumo, avaliar até que ponto seus hábitos cotidianos estão impactando o meio ambiente e fazer escolhas mais sustentáveis”.O lançamento do relatório pelo WWF-Brasil,  em Brasília, contou com a presença de Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ver o planeta do espaço. Ele falou sobre a experiência de ver a terra de longe. "Eu gostaria que todas as pessoas tivessem a oportunidade de ver o planeta do alto. A essa distância, é possível ver o quanto ele está sendo degradado". De acordo com Pontes, é muito bom ter o conforto que a cidade oferece mas  isso não pode ser  feito a custa de destruir nossos recursos naturais, o que vem acontecendo em um ritmo acelerado. "As cidades, vistas do espaço, são como cicatrizes no planeta. O ideal é que elas fossem tatuagens e não cicatrizes", comparou.* Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Redação do WWF Brasil
O valor das diárias foi reduzido entre 25% e 35%. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Valor da hospedagem durante a Rio+20 terá redução de até 60%

 [caption id="attachment_52124" align="aligncenter" width="425" caption="O valor das diárias foi reduzido entre 25% e 35%. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr"][/caption]Um dos pontos mais polêmicos às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) já começa a ser solucionado: as diárias para o período do evento (13 a 22 de junho) serão reduzidas entre 25% e 35%. A Terramar, operadora de turismo contratada pelo Ministério das Relações Exteriores e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih) fecharam o acordo na quarta-feira, 16 de maio.Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, a queda dos preços representará uma queda de até 60% nos custos para as delegações que haviam reservado pacotes. “O desconto mínimo será 25% no custo da hospedagem para os participantes da conferência. E para aqueles que eventualmente tenham adquirido pacotes e que agora desejam reduzir sua permanência e informar que ficarão apenas alguns dias, isso impactará em até 60% nos custos que eles haviam assumido”, explicou à Agência Brasil.Além da diminuição dos valores, a negociação inclui o fim da exigência de hospedagem mínima de sete dias. As delegações que já haviam fechado pacotes terão até segunda-feira, 21 de maio, para solicitar a devolução dos valores que ultrapassarem a nova tabela de preços.O acordo vale para os hotéis contratados pelo Iatamaraty para receber participantes estrangeiros e chefes de Estado, mas o governo espera que a redução provoque um “efeito dominó” e os preços sejam diminuídos em toda a rede hoteleira do Rio de Janeiro.GreveAlém da polêmica quanto ao alto preço cobrado pelos hotéis, um outro problema relacionado ao evento é a ameaça de greve dos funcionários públicos durante a Rio+20. Entre os servidores estariam integrantes da Polícia Federal e da Receita Federal. Se o movimento for confirmado, pode prejudicar a descarga de mercadorias e dos trâmites de imigração.O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal, Ayrton Eduardo Bastos, informou ao portal Folha.com que, a decisão sobre a greve ainda não está tomada, mas se o governo não atender as reivindicações da categoria, a paralisação ocorrerá. Os servidores da receita solicitam reajuste salarial de 30,19%.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
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Quando os biocombustíveis roubam a comida

Cidade do México, México, 18/5/2012 – A crise alimentar, agravada pelo uso do milho e de outros grãos na produção de etanol, é um dos assuntos centrais abordados ontem e hoje na capital mexicana pelos vice-ministros de Agricultura do Grupo dos 20 países industriais e emergentes. Este bloco reúne os países industrializados do Grupo dos Oito (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão, Itália e Rússia), a União Europeia e economias emergentes como Brasil, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, África do Sul e Turquia.O impacto dessa questão na humanidade é analisado pela pesquisa Agrocombustíveis: alimentadores da fome. Com as políticas dos Estados Unidos para o etanol de milho aumentam o preço dos alimentos no México, apresentada no dia 16, patrocinada pelo escritório norte-americano da organização não governamental ActionAid International.“Vemos altas de preços muito fortes nos alimentos desde o final de 2000, depois se repetiram em 2007 e voltaram em 2010 e 2011”, disse à IPS o norte-americano Timothy Wise, diretor do Programa de Pesquisa e Política do Instituto de Desenvolvimento Global e Meio Ambiente da Universidade de Tufts. “Isto coincide com a expansão do etanol nos Estados Unidos”, indicou o diretor, coautor do informe. “O que se vê no México é o aumento do preço da tortilha de milho”, o alimento tradicional deste país e cujo preço aumentou 60% desde 2005, afirmou.Wise e a também coautora do estudo Marie Brill, diretora de políticas da Actionaid, asseguraram que o México perdeu, desde 2005, entre US$ 250 milhões e US$ 500 milhões por ano por precisar importar o grão, devido às altas cotações internacionais. “A expansão dos agrocombustíveis contribui para a insegurança alimentar no México. As altas de preços associadas ao etanol afetam negativamente os consumidores, especialmente os que carecem de segurança alimentar e não são produtores”, afirma o estudo de 24 páginas.Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no ano passado foram consumidos nesse país 53,302 bilhões de litros de etanol feito do milho, para cuja produção foi destinada 40% da colheita do grão. Nesse país, maior produtor e exportador de milho do mundo, aplica-se uma política de proteção alfandegária a favor do biocombustível local, pagamento de subsídios aos produtores e um mandato de mescla de gasolina com até 10% de etanol.“O G-20 tem que resolver a crise alimentar. A cúpula de 2011 abordou a situação, mas é preciso assegurar os motores primários. O México é um exemplo do que ocorre em outros países”, observou Brill. Os mandatários do G-20, cuja presidência temporária está com o México, se reunirão nos dias 18 e 19 de junho na cidade de Los Cabos, para tratar de políticas contra a crise econômico-financeira que afeta o Norte, a segurança alimentar, o crescimento verde e o combate à mudança climática, entre outros assuntos.“O governo mexicano tem que determinar que está ao lado do produtor e não em benefício das empresas. Temos que trabalhar por uma reserva de alimentos, para não depender do estrangeiro”, afirmou à IPS a ativista Olga Alcaraz, dirigente da Rede de Empresas Comerciantes Camponesas do Estado de Michoacán. As plantações destinadas aos agrocombustíveis começaram na região na metade do século passado e atingiram seu auge na década de 70, quando os países latino-americanos despontaram como provedores de matérias-primas para os mercados das nações industrializadas e diante da primeira grande crise do petróleo.Nos últimos anos, o desenvolvimento de algumas monoculturas mudaram para o fornecimento de matéria-prima para a elaboração de combustíveis, como o etanol procedente da cana-de-açúcar e o biodiesel obtido a partir do óleo de palma africana. A expansão de produtos agrícolas para fabricar combustível também se deve ao esgotamento do petróleo como fonte de energia e ao fato de a produção e uso de hidrocarbonos representar a emissão de gases contaminantes, como o dióxido de carbono, responsável pela elevação da temperatura do planeta.O milho carrega uma força simbólica do México até a Nicarágua. “O aumento da destinação desse grão para etanol é fortíssimo, empurrado pelos altos preços do petróleo”, destacou Wise. “Esta situação cria problemas para países importadores como o México”, explicou este especialista que estudou os efeitos do aumento dos preços dos alimentos em nações em desenvolvimento.No México, são produzidos 22 milhões de toneladas de milho por ano em uma área de 7,5 milhões de hectares, dos quais vivem cerca de 2,5 milhões de produtores de pequena e média escalas, e são importados dez milhões de toneladas. O déficit da balança comercial agrícola mexicana ficou no ano passado em US$ 2,5 bilhões, enquanto as compras agrícolas dos Estados Unidos subiram até US$ 18,4 bilhões.A Lei de Promoção e Desenvolvimento dos Bioenergéticos de 2008 proíbe que terras aptas para cultivos de alimentos sejam usadas para plantar vegetais destinados a produzir agrocombustível. As organizações da sociedade civil recomendam ao G-20 anular subsídios e mandatos para consumo de agrocombustíveis, a regulamentação e transparência dos mercados, e o financiamento da agricultura familiar.Os autores do estudo estimam que o custo financeiro anual das importações mexicanas dariam para produzir 70 mil toneladas de milho. “É necessário investir em programas de produtores que não receberam apoio em 30 anos. Este é o setor que pode ser beneficiado com um investimento moderado. Ficou demonstrada a viabilidade dessa expansão”, apontou Wise.O assunto também constará dos debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Brasil. “Esperamos ver um enfoque que integre energia, sustentabilidade e segurança alimentar”, ressaltou Brill. Por sua vez, Alcaraz enfatizou que é preciso “inovação tecnológica para economizar na produção, e termos nossa própria semente, porque dependemos das multinacionais”. Envolverde/IPS


por Emilio Godoy, da IPS
Baixe um folder com informações sobre exploração sexual de menores na biblioteca. Foto: Divulgação

18 de Maio: dia de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças

Campanha marca Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes[caption id="attachment_52128" align="aligncenter" width="425" caption="Baixe um folder com informações sobre exploração sexual de menores na biblioteca. Foto: Divulgação"][/caption]Brasília - A exploração sexual de crianças e adolescentes em grandes empreendimentos é uma das maiores preocupações de defensores de direitos humanos. De acordo com a socióloga e consultora da Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi), Graça Gadelha, ainda não há ações concretas para evitar essas violações, mas existem algumas organizações da sociedade civil que estão se empenhando para minimizar os impactos das grandes obras na vida de crianças e adolescentes.“Um dos maiores desafios é o impacto das grandes obras na questão da exploração sexual de crianças e adolescentes. Temos um conjunto de obras, que inclui siderúrgicas, hidrelétricas, as obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], além da questão dos megaeventos, que causam impacto direto na vulnerabilidade de crianças e adolescentes”, disse Graça.As violações em grandes obras são o tema da campanha que marca hoje (18) o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescente. Segundo Graça, a situação no Norte e no Nordeste é mais complicada. “Essas regiões já têm um histórico de vulnerabilidade e de omissão do Poder Público em relação às ações voltadas para a afirmação de crianças e adolescentes”.Um relatório sobre violações de direitos humanos nas obras das usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau (RO), publicado pela Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil) no ano passado, mostrou que o número de homicídios dolosos cresceu 44% em Porto Velho entre 2008 e 2010.Além disso, a quantidade de crianças e adolescentes que foram vítimas de abuso ou exploração sexual aumentou 18%. O relatório também mostra que o número de estupros cresceu 208% em Porto Velho entre 2007 e 2010. Segundo o documento, a explosão populacional foi um dos principais fatores que provocaram o aumento dos índices de violência.Um documento contra a exploração sexual de menores em grandes empreendimentos será entregue nesta sexta-feira a representantes da Frente Parlamentar Mista da Criança e do Adolescente. De acordo com a coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, o objetivo é mostrar quais são os desafios que envolvem o tema. “Queremos mostrar quais são as prioridades que temos de pautar para que a gente consiga mitigar um pouco os prejuízos que essas obras têm causado na vida de crianças e adolescentes”, disse.Para ela, é necessário mostrar à sociedade, de maneira mais clara, a diferença entre abuso e exploração sexual. “O  abuso sexual, embora seja mais denunciado, quando é identificado, aparece [para a sociedade]. A exploração sexual não, talvez porque ainda seja algo muito natural para a sociedade. A culpa fica muito em cima da menina, as pessoas dizem que ela é explorada porque é sem-vergonha, porque a mãe não cuida”.O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído por lei federal, em alusão a 18 de maio de 1973, quando a menina Araceli, de apenas 8 anos, foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens da classe média alta de Vitória (ES). Apesar de sua natureza hedionda, o crime prescreveu e os assassinos ficaram impunes.* Edição: Graça Adjuto** Publicado originalmente no site da Agência Brasil. 


por Daniella Jinkings, da Agência Brasil
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Órgãos ainda se adaptam à Lei de Acesso à Informação

No primeiro dia em vigor da Lei de Acesso à Informação (LAI), o Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão (e-SIC), ligado à Controladoria Geral da União (CGU), registrou 708 pedidos de consultas. Foi só o começo de um longo processo. Levantamento de CartaCapital em órgãos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário nos três níveis (federal, estadual e municipal) mostra que, em geral, os órgãos analisados ainda estão em fase de adaptação à lei, apesar de a medida ter sido sancionada em novembro passado.A LAI obriga os três poderes da União a fornecer informações solicitadas por cidadãos, empresas e entidades da sociedade civil. Cada órgão público deve ter um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) para auxiliar na transparência.Além de órgãos e entidades públicas, fundações, empresas públicas e entidades privadas sem fins lucrativos que recebem aportes públicos devem disponibilizar informações para consulta. A legislação, que coloca o Brasil no grupo de 91 países que tratam as informações guardadas pelo Estado como bem público, também abre o acesso a documentos de violações de direitos humanos.Não é necessário informar o motivo da solicitação, apenas preencher as informações exigidas no formulário de cada órgão ou entidade.Pela lei, fica determinado ainda a divulgação dos salários, subsídios e benefícios de todos os servidores do executivo federal, o que poderia constranger os outros poderes a seguir o exemplo. Mesmo assim, a diretora-geral do Senado, Doris Marize Peixoto, evidenciou que, para a Casa, os salários dos servidores são uma informação protegida.A LAI define que os cidadãos podem solicitar o acesso a informações de interesse público, que podem variar do acesso à agenda de autoridades a dados das Forças Armadas sobre OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados). Há também a possibilidade de solicitar documentos sobre obras da Copa do Mundo ou as condições de financiamento do BNDES em contratos com grandes empresas.O prazo máximo de sigilo para documentos ultrassecretos é de 25 anos, 15 anos para os secretos e cinco para os reservados. A renovação destes períodos pode ocorrer uma vez apenas.As solicitações de acesso à informação têm um prazo de 20 dias, prorrogável por mais 10, para serem atendidas. Caso o prazo seja desrespeitado, há a possibilidade de recorrer a instâncias superiores àquela acionada anteriormente. Já se um servidor público se negar a atender ao pedido ou atrasá-lo deliberadamente, ele pode ser suspenso ou responder processo de improbidade administrativa.Acompanhe abaixo o que órgãos dos três poderes já fizeram para atender à lei:Judiciário FederalO Judiciário ainda não está preparado para atender a todas as regras da lei, mas já se mobiliza para criar regras gerais de acesso à informação. As normas serão definidas por uma comissão com representantes dos tribunais superiores e de conselhos superiores de Justiça, que dentro de 60 dias apresentará suas conclusões para criar parâmetros gerais para classificação de documentos.O Supremo Tribunal Federal mantém desde 2008 uma central de atendimento com serviço presencial, além de consultas por telefone e internet.O Superior Tribunal de Justiça informa cumprir parte da lei ao fornecer informações sobre processos, contratos e contabilidade. No entanto, os nomes dos servidores são omitidos nas folhas de pagamento por questões de privacidade. O órgão também possui serviço de atendimento por telefone e setor de ouvidoria, mas ainda está construindo o SIC.No Tribunal Superior Eleitoral, um grupo de trabalho foi criado em março para estudar a implantação da lei. O grupo deverá entregar suas conclusões em junho.O Superior Tribunal Militar relata não ter se preparado especificamente para a lei, mas aguarda a edição do regramento geral do Judiciário para estabelecer diretrizes internas. Segundo o tribunal, as demandas atuais podem ser encaminhadas à assessoria de comunicação e ao protocolo da corte.O Conselho Nacional de Justiça dispõe de um sistema de atendimento ao cidadão. O órgão já possuía ouvidoria, que passará a receber queixas de indivíduos que não tiveram a demanda atendida.Judiciário EstadualEm São Paulo, o Ministério Público Federal informa em seu site possuir um SIC, além de disponibilizar na internet dados de convênios e despesas, entre outros. Caso, os esclarecimentos não sejam suficientes, os interessados dispõem de um formulário online para enviar suas solicitações de documentos por correio, internet ou pessoalmente.O Tribunal de Justiça de São Paulo afirma que parte da nova lei “já é atendida”, pois o TJ-SP divulga atividades e dados sobre orçamentos em seu site.Executivo FederalOs 24 ministérios do governo federal – excluindo secretarias com status de ministério – possuem em seus portais o link “Acesso à Informação”, que direciona o internauta a uma página com dados sobre orçamento, auditorias e gastos, entre outras informações. Há também endereços dos SICs com horários de atendimento e o endereço da página da CGU sobre a lei. Caso o documento de interesse do cidadão não esteja disponível online, é possível pedi-lo pelo correio, internet ou pessoalmente.O Itamaraty, que vai liberar informações diplomáticas – inclusive dados sobre guerras, relatórios internos e telegramas de assuntos políticos de consulados e embaixadas -, não demonstra preocupação com eventuais constrangimentos com outros países devido às infromações contidas nestes documentos.Via assessoria de imprensa, o Ministério das Relações Exteriores aponta que “esses documentos são antigos e a confidencialidade evitou esse qualquer constrangimento. Os documentos mais antigos já pertecem à história. Mas não há orientação para colocar todos os documentos à disposição, apenas aqueles solicitados.”Marinha, Força Aérea e Exército já se adequaram à lei e instalaram seus SICs, além de disponibilizarem informações em seus sites.Até mesmo o Comitê de Política Monetária (Copom) foi afetado pela lei. A partir da próxima reunião do grupo, marcada para 29 e 30 de maio, o comunicado do diretor de Política Monetária emitido ao término da reunião para anunciar as eventuais mudanças na Selic vai identificar como votou cada um dos sete diretores do comitê. Antes, a informação era sigilosa.Executivo EstadualO governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou na quarta-feira 16 decreto a regulamentar a Lei de Acesso no estado, que deve promover a gestão dos documentos públicos para assegurar o acesso às informações e a criação dos SIC nos órgãos administrados por esta esfera. Os órgãos e entidades do governo deverão definir em 30 dias os responsáveis pelo comando dos SICs.O governo paulista admite não ter criado novas estruturas para atendimento de demandas específicas do cidadão previstas na legislação, mas ressalta ter portais e canais de atendimento adequados à nova legislação.No Rio de Janeiro, o governo informa ter criado uma comissão para discutir a regulamentação da nova lei e que realizou seminários com secretarias estaduais sobre o tema.Executivo MunicipalNa cidade do Rio de Janeiro, a prefeitura lançou o site http://www.transparenciacarioca.rio.gov.br/, no qual é possível acessar contratos públicos, orçamento e informações sobre o andamento da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 na cidade. Há também o telefone 1746 e o site www.1746.rio.rj.gov.br caso a informação desejada não esteja no portal acima.Já a Prefeitura de São Paulo admite não ter criado novas estruturas para atendimento de demandas específicas previstas na lei. A prefeitura afirma manter portais e outros canais que atendem as exigências da LAI.Legislativo FederalA Câmara dos Deputados criou uma página na internet sobre a LAI, explicando como solicitar informações, por quais canais fazê-lo e prazos de atendimento. Pelo site, os interessados poderão acompanhar as obras em andamento, com dados sobre os contratos e o percentual de execução.Para obter informações na Câmara é possível ligar para o telefone 0800 619 619, acessar o site ou comparecer ao SIC.No Senado, a Mesa Diretora editou na quarta-feira 16 ato criando uma comissão de oito funcionários para classificar os documentos da Casa. Eles utilizarão os critérios determinados no decreto editado pela presidenta Dilma Rousseff. Os documentos sem classificação deverão ter acesso facilitado e disponibilizados preferencialmente pela internet.Legislativo EstadualA Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro informa ter planos de lançar um site com informações sobre gastos, licitações, auditorias, etc. Já em São Paulo, a Assembleia Legislativa destaca em nota já disponibilizar diversas informações em seu site. Além disso, os interessados podem comparecer pessoalmente à Casa para realizar seus pedidos.Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Jonas Lopes de Carvalho Junior, afirmou no início da semana que o tribunal está pronto para receber pedidos de informações dos cidadãos. Segundo ele, o órgão já disponibiliza consultas aos processos por meio do site e vai criar uma ouvidoria.Legislativo MunicipalA Câmara Municipal de São Paulo disponibiliza em seu site uma sessão sobre a lei de informação, mas indica a ouvidoria como SIC. Na Câmara Municipal do Rio, informações sobre gestão, orçamento e licitações são disponibilizadas, mas a Casa informa que vai se adaptar às novas regras.O Tribunal de Contas do Municipio do Rio de Janeiro inaugurou um site para garantir o cumprimento da lei. No portal, é possível obter informações sobre estrutura, despesas e principais atividades do órgão. Há também um as informações sobre o SIC do tribunal.* Com informações Agência Brasil.** Publicado originalmente no site da Carta Capital.


por Gabriel Bonis, da Carta Capital

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